IRIS HALMSHAW

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IRIS HALMSHAW - a genialidade de uma criança

domingo, 18 de agosto de 2013

A ESMOLA DO POBRE - JÚLIO DINIS





Nos toscos degraus da porta
De igreja rústica e antiga,
Velha trémula e mendiga
Implorava compaixão.
Quase um século contado
De atribulada existência,
Ei-la enferma e na indigência,
Que à piedade estende a mão.

Duas crianças brincavam
À distância, na alameda;
Uma trajada de seda,
Da outra humilde era o trajar.
Uma era rica, outra pobre,
Ambas loiras e formosas,
Nas faces a cor das rosas,
Nos olhos o azul do ar.

A rica, ao deixar os jogos,
Vencida pelo cansaço,
Viu a mendiga – e ao regaço
Uma esmola lhe lançou.
Ela recebe-a; e a criança,
Que a socorre compassiva,
Em prece fervente e viva,
Aos anjos encomendou.

De um ligeiro sentimento
De vaidade possuída,
À criança mal vestida
Disse a do rico trajar:
- «O prazer de dar esmolas
A ti e aos teus não é dado;
Pobre como és, coitado,
Aos pobres o que hás-de dar?»

Então a criança pobre,
Sem más sombras de desgosto,
Tendo o sorriso no rosto,
Da igreja se aproximou;
E após, serena, em silêncio,
Ao chegar junto da velha,
Descobrindo-se, ajoelha,
E a magra mão lhe beijou.

E a mendiga alvoroçada,
Ao colo os braços lhe lança,
E beija a pobre criança,
Chorando de comoção!
É assim que a caridade
Do pobre ao pobre consola;
Nem só da mão sai a esmola,
Sai também do coração.

JÚLIO DINIS



Para fazer o download da ANTOLOGIA POÉTICA



4 comentários:

  1. comovente, por lembrar que a caridade é um ato de amor. Esmola destituída de solidariedade e empatia não conforta, nem mitiga a dor.

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  2. É verdade. Como diria S. Paulo a maior de todas as virtudes é o Amor.
    http://josemariaalves.blogspot.pt/2010/06/cantico-do-amor-s-paulo.html

    Abraço.

    JMA

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